Vila

É verdade, somos de outro lugar; bem longe daqui, inclusive.
Uma vila pequena, com silêncios largos e árvores que brotam onde querem.

Quatro ou cinco casas tem gente mais velha, de um tempo em que o tempo pouco importava.
Na maior parte das outras, choros curtos marcam tempos que só enxergam começos.

Lá, sonhamos uns com os outros.
Adoecemos, mas nunca de solidão.

Nossos olhos enxergam juntos e vêem cada intenção, cada gota de suor, cada sorriso que surge – lentamente – à medida em que as pálpebras baixam.
Pisamos no chão e sentimos o vento cobrir nossos pés com grossa poeira, como se quisesse juntar tudo novamente.

Sim, gostamos da vida na vila; e, antes que você pergunte: sempre aceitamos novos moradores.
O problema é que não sabemos mais como voltar para lá.

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