Poeminha à esquerda

Dos dias que – teimosamente – não findaram
esperei, em rubro definhar, palavras como pássaros.
Floreios vários, que falam de pessoas, ruas e fogos,
lembranças turbulentas dos que rosnaram plácidos.

Em torno de mim, pululam sonhos,
ocos, roucos, loucos – como um beijo cáustico.
Se não grito, não lido, não como,
tampouco esfrio em um choro ácido.

Mas veja… não paro. não nego; não amparo.
O que me resta é luta; é braço; é morte.
Aos que ditam ou que latem: a sorte;
pois de um longo sono, enfim, me separo.